Na minha opinião, este poema de Sophia de Mello Breyner Andresen é bastante interessante. Em aula selecionei-o para criticar devido à semelhança de tema com o poema que escolhi para apresentar. Este poema fala da morte e da memória, fala de o facto de que quando alguém parte nos deixa saudade e continua no nosso pensamento. Sophia consegue transmitir todos esses sentimentos através de comparações constantes, fazendo-o de forma bela. No poema dá a entender que esse alguém que partiu, era chegado à autora, pois, no último verso ela refere um "nome proibido". Mais uma vez, Sophia refere elementos da natureza no poema, como costuma fazer em quase todos da sua autoria, nomeadamente a praia, o vento, a terra.
Acho que este poema é interessante de se estudar e explorar, apesar de não ter sido a minha escolha.
-B
Bem-vindos ao meu blog! Criei este blog a pedido da professora da disciplina de Literatura Portuguesa, disciplina que faz parte do curso pelo qual eu optei. Com este blog pretendo melhorar as minhas capacidades críticas, de leitura e de escrita. Espero que gostem! -B
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
"Aquele que partiu"
Aquele que partiu
Precedendo os próprios passos como um jovem morto
Deixou-nos a esperança.
Ele não ficou para connosco
Destruir com amargas mãos seu próprio rosto
Intacta é a sua ausência
Como a estátua dum deus
Poupada pelos invasores de uma cidade em ruínas
Ele não ficou para assistir
À morte da verdade e à vitória do tempo
Que ao longe
Na mais longínqua praia
Onde só haja espuma sal e vento
Ele se perca tendo-se cumprido
Segundo a lei do seu próprio pensamento
E que ninguém repita o seu nome proibido.
Sophia de Mello Breyner Andresen
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
Anamnese
O tempo congelou. Os pássaros deixaram de cantar. As folhas deixaram de cair. Morte. Propagava-se por toda esta casa como se de uma epidemia se tratasse. Todas as minhas memórias pareciam desvanecer-se, pareciam estar a ficar gastas pelo tempo como um par de sapatos; a minha infância passou como um meteorito no espaço, tudo o que pedia era poder voltar àqueles tempos e reviver tudo como se a morte já adivinhasse. Afinal a morte é a única coisa certa na vida, mas tudo parecia irreal quando era miúdo, parecia que a vida se tratava de um relógio parado, de um calendário cujas folhas nunca foram rasgadas, parecia que aqueles pequenos mas grandes momentos da minha infância iriam ser assim para sempre. Ainda me lembro de correr pelos corredores daquela que parecia uma mansão, talvez pelo meu tamanho, com aquelas pequenas sombras a acompanharem-me, como se de parte de mim se tratassem. Aquela felicidade tornou-se em algo inesquecível e fez de mim quem hoje sou. Ainda tenho presente na minha cabeça aquela música que todos os dias no ar pairava. Ai como eu dançava ao som desta! Parecia que ganhava asas e voava a cada nota. A luz que pela janela todos os dias entrava rejuvenescia-me apesar da minha jovialidade. Sentia-me como nascido das cinzas. Todos os dias me sentia como um recém-nascido que acabara de ver o sol e de sentir a vida pela primeira vez. Respirei fundo e abri os olhos. Por momentos tive esperança de que estas memórias se tivessem tornado realidade. Precisava de as viver mais uma vez, nem que por um segundo fosse. Elas iriam ajudar a tornar este processo menos doloroso, iriam tornar o pouco tempo que tenho num infinito só meu. Sem elas tudo iria parecer sem vida, pois, apesar do cheiro a morte nesta casa, ainda consigo extrair uma pequena fragância a vida. Talvez essa seja a minha memória, que, nesta casa iria permanecer para a eternidade. Tudo o que me resta é despedir desta casa velha onde vivi os meus melhores tempos. Fechei os olhos. Abracei a morte com um sorriso na cara.
Memória fictícia criada a partir do poema "Outro tempo" , de Gastão Cruz.
-B
"Outro Tempo"
Ficávamos de tarde com a música
na escuridão dos quartos repassados
de secura
como se a luz atravessasse
sem claridade a casa
O corredor
alargava junto ás salas
fechadas a maior acabava num
púlpito debaixo
do torreão em forma de coroa da casa
Durante horas a música lançava
obscuras vagas
o futuro
tão perto já cavava
covas nas salas nunca usadas
Gastão Cruz
(inédito)
mAGAZINE artes
Número 4
Bernardim Ribeiro
Ai minha doce Beatriz,
o que eu não sofro por ti!
Sofro pelo nosso amor condenado pelo destino,
sofro por não poder estar contigo.
Teu pai obrigou-te a casar,
o que fez meu coração despedaçar-se.
Eu sempre soube o que nutrias por mim
apesar de a esta relação termos de pôr fim.
Para esta relação não há futuro,
por isso procurei uma solução.
Vou partir e mais não me vais ver,
vou deixar-te com o coração nas mãos.
Adeus, Beatriz, adeus meu amor,
assim me despeço de ti,
com grande sofrimento e dor.
-B
o que eu não sofro por ti!
Sofro pelo nosso amor condenado pelo destino,
sofro por não poder estar contigo.
Teu pai obrigou-te a casar,
o que fez meu coração despedaçar-se.
Eu sempre soube o que nutrias por mim
apesar de a esta relação termos de pôr fim.
Para esta relação não há futuro,
por isso procurei uma solução.
Vou partir e mais não me vais ver,
vou deixar-te com o coração nas mãos.
Adeus, Beatriz, adeus meu amor,
assim me despeço de ti,
com grande sofrimento e dor.
-B
"Entre mim mesmo e mim"
Vilancete
Entre mim mesmo e mim
não sei que se alevantou,
que tão meu imigo sou.
Uns tempos, com grande engano,
vivi eu mesmo comigo,
agora no mor perigo
se me descobre o mor dano.
Caro custa um desengano
e pois me este não matou
quão caro que me custou.
De mim me sou feito alheio.
entre o cuidado e cuidado
está um mal derramado
que por mal grande me veio.
Nova dor, novo receio
foi este que me tomou:
assim me tem, assim estou.
RIBEIRO, Bernardim. "Entre mim mesmo e mim". In: SILVEIRA, Francisco Maciel (org.). Poesia Clássica São Paulo: Global, 1988.
Bocage
No passado dia 12 de novembro, a nossa turma deslocou-se à Escola preparatória du Bocage para realizar uma apresentação a duas turmas de 9º ano em honra dos 250 anos do nascimento de Bocage e para falar sobre a disciplina de Literatura Portuguesa.
Inicialmente, a turma mostrou-se nervosa. Porém, após iniciar a primeira apresentação, começou a sentir-se mais descontraída e à vontade. No tópico sobre Bocage, os alunos implicados transmitiram toda a informação essencial à apresentação, e mostraram grande maturidade e capacidade de falar para um auditório com alguns membros do público desinteressados e imaturos. Ao contrário da primeira turma, a segunda turma mostrou-se interessada e participativa, o que levou os elementos que estavam a apresentar realizarem um trabalho ainda mais fluente, alcançando um melhor desempenho, acabando por envolver membros do público na atividade.
No tópico sobre Literatura, as alunas responsáveis por abordar a disciplina apresentaram positivamente os conteúdos estudados em aula, tentando incentivar o público a procurar opções alternativas. Também foi realizada uma introdução à disciplina, aos seus objetivos, aos seus métodos de avaliação e saídas profissionais.
A turma atingiu todos os seus objetivos, apesar da pressão de estar a ser avaliada e julgada por um público desconhecido, num ambiente não familiar, mostrando capacidade de ultrapassar barreiras e de singrar sucecidamente na vida académica.
-B e M
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Em Angola Uns Semearam Ventos Outros Colheram Tempestades
O livro Em Angola uns semearam ventos outros colheram tempestades Memórias da Guerra (1961-1964), de Rui Rosado Vieira retrata uma "aventura" militar vivida por parte do autor. Ao longo do livro podemos saborear uma constante descrição de locais, fotografias e até correspondências pessoais.
Em toda a história podemos saber tudo o que aconteceu, do ponto de vista do autor, detalhadamente . Todo o seu livro é uma colectânea de memórias, umas mais felizes do que outras, mas que retrataram uma realidade dos nossos atuais antepassados.
Podemos acompanhar os seus vinte e oito meses passados em Angola entre 1961 e 1964, local onde tirou mais de meio milhar de fotografias e procedeu à escrita de um diário com mais de trezentas páginas, que viriam mais tarde ser importantes fontes de informação para a publicação deste livro. Nesta obra, Rui Rosado Vieira fala sobre o ambiente social em Campo Maior, sua terra de nascença, sobre a tensão vivida antes do embarque e sobre o que observara em território angolano. Fala sobre as suas não longas estadias em Luanda e como essas transmitiram opressivos sacrifícios a centenas de jovens, que como ele sofreram ciladas e contendas com os rebeldes nas matas dos morros vizinhos de Balacende, Quicabo e Fazenda Beira Baixa.
Os nomes Amboim e Malange são referidos no seu livro. Representam duas terras, localizando-se a última junta à fronteira com a República Democrática do Congo. Naquela altura esses territórios não haviam sido atingidos pela guerra. A região de Dembos também é constantemente referida, sendo um dos locais em que a guerra se concentrava e com maior intensidade.
Este livro traz-nos diversas memórias faladas na primeira pessoa e, talvez seja o motivo pelo qual, durante a sua leitura traga variadas emoções ao de cima e nos faça sentir como se tivéssemos no campo de combate e nas zonas de guerra a acompanhar Rui Rosado Vieira. Recomendo a sua leitura pois nunca é tarde para aprofundar-mos os nossos conhecimentos relativamente à nossa história, à história de Portugal.
-B
Em toda a história podemos saber tudo o que aconteceu, do ponto de vista do autor, detalhadamente . Todo o seu livro é uma colectânea de memórias, umas mais felizes do que outras, mas que retrataram uma realidade dos nossos atuais antepassados.
Podemos acompanhar os seus vinte e oito meses passados em Angola entre 1961 e 1964, local onde tirou mais de meio milhar de fotografias e procedeu à escrita de um diário com mais de trezentas páginas, que viriam mais tarde ser importantes fontes de informação para a publicação deste livro. Nesta obra, Rui Rosado Vieira fala sobre o ambiente social em Campo Maior, sua terra de nascença, sobre a tensão vivida antes do embarque e sobre o que observara em território angolano. Fala sobre as suas não longas estadias em Luanda e como essas transmitiram opressivos sacrifícios a centenas de jovens, que como ele sofreram ciladas e contendas com os rebeldes nas matas dos morros vizinhos de Balacende, Quicabo e Fazenda Beira Baixa.
Os nomes Amboim e Malange são referidos no seu livro. Representam duas terras, localizando-se a última junta à fronteira com a República Democrática do Congo. Naquela altura esses territórios não haviam sido atingidos pela guerra. A região de Dembos também é constantemente referida, sendo um dos locais em que a guerra se concentrava e com maior intensidade.
Este livro traz-nos diversas memórias faladas na primeira pessoa e, talvez seja o motivo pelo qual, durante a sua leitura traga variadas emoções ao de cima e nos faça sentir como se tivéssemos no campo de combate e nas zonas de guerra a acompanhar Rui Rosado Vieira. Recomendo a sua leitura pois nunca é tarde para aprofundar-mos os nossos conhecimentos relativamente à nossa história, à história de Portugal.
-B
domingo, 15 de março de 2015
"Manhã Submersa"
O livro Manhã Submersa, de Vergílio Ferreira, conta uma história incrível e arrebatadora sobre um rapaz de 12 anos, António Lopes, que foi pressionado a seguir a vida seminarista. Durante todo o livro há um desenrolar em torno dos sentimentos e vivências de António. A história permite-nos acompanhar uma longa viagem de auto-descoberta e uma constante luta pela liberdade mental.Ao longo deste livro, o autor tem o poder de nos transportar para a história e de fazer com que nos torne-mos parte dela. Por momentos podemo-nos sentir na pele de António e refletir com o mesmo, podemos fazer parte da sua luta e partilhar os seus sentimentos e angústias.
Durante a sua estadia no seminário, António descobre novos sentimentos como a amizade verdadeira, a camaradagem, o amor, mas também abre os olhos em relação a outros aspetos sociais como a pobreza vivida na sua terra e a desigualdade. Neste seu percurso enquanto seminarista, António procura constantemente a liberdade que merece, acabando muitas vezes por sofrer fisicamente para conseguir obter essa mesma liberdade.
Todo este livro é uma constante reflexão sobre quem verdadeiramente nós somos, uma luta pela liberdade que nos deveria ser permitida e assim como a exploração dos seus limites. Afinal somos nós que definimos a nossa liberdade, não somos?
A todos aqueles que querem acompanhar esta luta mental, aconselho este livro pois a sua história oferece novas perspectivas em relação à vida, transporta-nos numa montanha-russa de sentimentos e permite-nos refletir sobre a verdadeira essência da liberdade.
-B
"Resumo à poesia em 2009"
O livro Resumo à poesia em 2009, é uma edição exclusiva das lojas FNAC em colaboração com Assírio&Alvim, que junta os melhores poemas de 2009, de acordo com José Alberto Oliveira, Manuel de Freitas, Luís Miguel Queirós e José Tolentino Mendonça.
O livro é uma colectânea de poemas de 36 autores diferentes, tendo como principais temas comuns a morte, a sexualidade e outros conteúdos polémicos. Na minha opinião, esta compilação tem poemas um pouco desagradáveis e não abordáveis a todo o tipo de leitores.
O poema que mais me chamou à atenção e que demonstrou maior profundidade foi Bernardo Soares, de José Carlos Barros. Este poema invade-nos a alma e faz com que aquelas recordações e sentimentos referidos se tornem nossos.
Aos leitores que gostam de ler poemas que abordam temas mais obscuros, aconselho esta colectânea, pois leva-nos a a experimentar uma perspectiva pouco usual desses mesmos temas.
-B
O livro é uma colectânea de poemas de 36 autores diferentes, tendo como principais temas comuns a morte, a sexualidade e outros conteúdos polémicos. Na minha opinião, esta compilação tem poemas um pouco desagradáveis e não abordáveis a todo o tipo de leitores.
O poema que mais me chamou à atenção e que demonstrou maior profundidade foi Bernardo Soares, de José Carlos Barros. Este poema invade-nos a alma e faz com que aquelas recordações e sentimentos referidos se tornem nossos.
Aos leitores que gostam de ler poemas que abordam temas mais obscuros, aconselho esta colectânea, pois leva-nos a a experimentar uma perspectiva pouco usual desses mesmos temas.
-B
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