O livro Em Angola uns semearam ventos outros colheram tempestades Memórias da Guerra (1961-1964), de Rui Rosado Vieira retrata uma "aventura" militar vivida por parte do autor. Ao longo do livro podemos saborear uma constante descrição de locais, fotografias e até correspondências pessoais.
Em toda a história podemos saber tudo o que aconteceu, do ponto de vista do autor, detalhadamente . Todo o seu livro é uma colectânea de memórias, umas mais felizes do que outras, mas que retrataram uma realidade dos nossos atuais antepassados.
Podemos acompanhar os seus vinte e oito meses passados em Angola entre 1961 e 1964, local onde tirou mais de meio milhar de fotografias e procedeu à escrita de um diário com mais de trezentas páginas, que viriam mais tarde ser importantes fontes de informação para a publicação deste livro. Nesta obra, Rui Rosado Vieira fala sobre o ambiente social em Campo Maior, sua terra de nascença, sobre a tensão vivida antes do embarque e sobre o que observara em território angolano. Fala sobre as suas não longas estadias em Luanda e como essas transmitiram opressivos sacrifícios a centenas de jovens, que como ele sofreram ciladas e contendas com os rebeldes nas matas dos morros vizinhos de Balacende, Quicabo e Fazenda Beira Baixa.
Os nomes Amboim e Malange são referidos no seu livro. Representam duas terras, localizando-se a última junta à fronteira com a República Democrática do Congo. Naquela altura esses territórios não haviam sido atingidos pela guerra. A região de Dembos também é constantemente referida, sendo um dos locais em que a guerra se concentrava e com maior intensidade.
Este livro traz-nos diversas memórias faladas na primeira pessoa e, talvez seja o motivo pelo qual, durante a sua leitura traga variadas emoções ao de cima e nos faça sentir como se tivéssemos no campo de combate e nas zonas de guerra a acompanhar Rui Rosado Vieira. Recomendo a sua leitura pois nunca é tarde para aprofundar-mos os nossos conhecimentos relativamente à nossa história, à história de Portugal.
-B

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